Cores para elevar a auto-estima

Fernanda Moceri acredita tanto no poder transformador das cores que ela é especialista em descobrir o que “cai bem” para cada indivíduo. A paulistana de 35 anos é formada em Arquitetura e Urbanismo e se especializou em cores pela London College of Arts. “A cor influencia completamente a maneira como vemos o mundo ao nosso redor, o nosso equilíbrio mental, a nossa psique e as nossas experiências”, diz  a profissional, que presta consultoria a interessados no assunto.

Fernanda Moceri estudou em Londres e faz Doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde pesquisa cores

Decoração com estudo cromático para festa de aniversário infantil criada por Fernanda Moceri

Para levantar a auto-estima e o astral das pessoas, ela criou a consultoria Cor Estima. Ela busca dentro do universo específico de cada cliente as cores e os contrastes que melhor se encaixam para cada um. “Busco através de um olhar objetivo despertar a confiança. Só valorizo a beleza individual onde as cores, quando utilizadas corretamente, podem ser uma forte aliada na valorização pessoal”, completa
Fernanda.

Para entender como a cor é um tema fundamental na vida de qualquer ser humano, Fernanda me contou um pouco sobre o seu trabalho e de experiências de impacto que viveu ao observar, em viagens, as sensações provocadas, por exemplo, como o azul na Turquia e o branco, na Grécia.

Para acompanhar Fernanda Moceri e seu trabalho com cores, siga seu trabalho no Instagram ou envie um e-mail para pedir informações específicas.

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Acompanhe a entrevista.

Cinquenta com Pimenta: Por que a cor é importante na vida das pessoas?

Fernanda Moceri: Porque ela ativa simultaneamente os pensamentos e o mecanismo cognitivo. Perceber a cor, experimentar a cor, sentir a cor, são qualidades inseparáveis e, para vivenciá-las, é preciso alinhar corpo, mente e alma. A cor influencia completamente a maneira como vemos o mundo ao nosso redor, o nosso equilíbrio mental, a nossa psique e as nossas experiências. As cores são sinestésicas, pois despertam relações com o odor e o sabor. Elas podem fornecer impressões táteis, transmitir a sensação de tornar a aparência de uma pessoa pesada ou leve, harmônica ou desarmônica, e até mesmo ser comparada com o som.

Essas sensações devem ser levadas em consideração nas escolhas cromáticas de cada um. Não importa qual seja a mensagem, sinais de cores geralmente têm três funções: chamar a atenção, transmitir informação e penetrar nas emoções de quem as observa. Sendo parte intrínseca da natureza, sua utilização pode significar, entre outras coisas, o retorno do homem à sua origem, ou seja, a sua verdadeira essência, uma vez que a natureza é, dentre tantas qualidades, fundamentalmente, cor. Sem cor não há vida.

Na opinião de Fernanda, o suíço Paul Klee é um dos grandes mestres artistas na utilização da cor

CCP: Conte um pouco sobre a consultoria Cor Estima, qual é a ideia?

Fernanda: As pessoas estão cada vez mais sendo influenciadas por tendências de moda e isso nem sempre funciona. É preciso ter um olhar atento e individual, perceber se as cores valorizam ou não as características individuais de cada um. Essa falta de harmonia é comum – pessoas se vestem com cores nada benéficas. Uma vez mal aplicadas, acabam por drenar as tonalidades faciais deixando-as pálidas e com cara de doente. Ou até mesmo acentuando alguma característica que não favorece. Outro efeito negativo ao usar tonalidades que podem vir a ser até agressivas para certos tipos de personalidades é o desencadeamento de processos psicossomáticos como dor de cabeça, náuseas, distúrbios ou, em casos mais extremos, loucura.

A consultoria Cor Estima é realizada de maneira individual e dura aproximadamente uma hora, feita à luz do dia. O cliente precisa ir até o ateliê e sai com uma cartela de cor customizada para ele

A  consultoria Cor Estima busca dentro do universo individual de cada cliente, respeitando sempre a sensibilidade e a individualidade de cada um, levantar a auto-estima, a confiança e só valorizar a beleza individual. As harmonias ditadas pelo formato de rosto, desenho de íris e conjunto rosto-corpo buscam criar paletas cromáticas que orientem seus clientes nas escolhas de cores que mais as valorizam. Para isso, é feita uma análise dos tons da pele, que indicam se as cores de base, blush e batom devem tender mais para os rosados e/ou vermelhos ou corais e/ou bronzeados.

Também é feita uma análise de qual contraste existe nesse rosto, podendo variar entre básico, médio e forte. Quais os tons de cabelo que mais harmonizam com os outros aspectos já analisados para essa pessoa e, por último, qual a cartela de cores para o vestuário que vibra em perfeita harmonia com todos os outros aspectos mencionados. A consultoria Cor Estima é realizada de maneira individual, e dura aproximadamente uma hora, feita à luz do dia.

Cada cliente, depois de feita a análise no ateliê, ganha um kit contendo 20 amostras em tecido de cores produzido pelo Ateliê Vermelho por meio do sistema sueco Natural Colour System. Com isso, fica muito mais fácil para cada um comparar as cores contidas na cartela com as roupas já existentes no guarda-roupa. E, caso as roupas que o cliente já tem não sejam da mesma família tonal das amostras contidas na cartela elaborada pelo Ateliê Vermelho, será possível fazer a correção cromática necessária orientada pela Consultoria Cor Estima.

Kit fornecido pelo Ateliê Vermelho ao final da consultoria

Outro ponto importante levado em consideração nessa consultoria são para as pessoas que não usam maquiagem no dia-a-dia. Como devem fazer para que a pigmentação presente na pele do rosto não seja drenada deixando-as pálidas, ou realçada, deixando-as vermelhas.

O estilista francês Christian Lacroix usava cartela de cores exuberante em seus desfiles

CCP: Por que as pessoas se refugiam no branco-cinza-preto?

Fernanda: Essas cores, a rigor, não são consideradas cores. São acromáticas, ou seja, não possuem matiz. Por exemplo, o medo de errar é um dos motivos. Quando alguém veste essas tonalidades pode estar se protegendo psicologicamente de alguma coisa ou estar tentando parecer invisível, incógnito, não
querendo chamar atenção. Outra razão pela qual as pessoas usam essas tonalidades em demasia é pelo valor simbólico que elas adquiriram na nossa sociedade onde passaram a ser consideradas como elegantes, chiques e sofisticadas. Isso é verdade, só que em parte. É preciso analisar outros condicionantes envolvidos, pois ao invés de possuírem todos esses atributos positivos podem ser também depressivas, mortíferas e impessoais. Por exemplo, em um ambiente de trabalho, esses atributos negativos que podem ser gerados por esses tons, deixam de ser interessantes e perdem completamente sua força positiva.

Mais um aspecto importante é a grande demanda do mercado na relação oferta-procura onde é muito mais fácil achar no varejo roupas nessas cores do que em qualquer outra tonalidade. Porém, o que para um especialista é fácil observar é que nem todo mundo fica 
bem de branco-cinza-preto. Há pessoas que ao colocarem branco-preto (isso vai depender da harmonia cromática que esse indivíduo apresenta) podem parecer ainda mais pálidas e doentes ou até frias e distantes.

Vestir-se com cores e ter elegância, estar chique e ainda por cima causar um impacto super positivo!

CCP: Cite exemplos de projetos em que a cor é protagonista e causa enorme
sensação de bem-estar.

Fernanda: Vou falar de arquitetura, maquiagem, artes visuais e moda.

Na arquitetura: as obras do arquiteto mexicano Luis Barragán (1902-1980) em que a espacialidade aliada a luzes e cores são completamente harmônicas. Em particular a Capilla de las Capuchinas, em Tlalpan, na Cidade do México;

Maquiagem: o trabalho da maquiadora inglesa Lisa Eldridge, autora do livro Face Paint, onde ela faz uma leitura exata da harmonia de cada cliente e somente depois define os tons que melhor embelezarão essas pessoas;

Os tons de maquiagem utilizados harmonizam completamente com os aspectos faciais da modelo

Artes Visuais: o trabalho dos artistas Paul Klee (suíço, 1879-1940), Wassily Kandinsky (russo, 1866-1944) e Josef Albers (alemão, 1888-1976);

Moda: o estilista Christian Lacroix.

O alemão Josef Albers, da Bauhaus, já estudava o cromatismo em seus trabalhos no século passado

CCP: Qual é a sua cor preferida e por quê?

Fernanda: Sempre gostei muito de cores e por isso me tornei uma especialista. Quando eu era pequena, me lembro de ver os mostruários de cores de qualquer coisa e ficar encantada. Porém, o que eu sinto cada vez mais que dependendo do meu humor, da estação do ano, o quanto bronzeada minha pele está, tem cores que me beneficiam e outras não. O que eu faço sempre é respeitar as minhas características
cromáticas e realçar positivamente os meus tons.

CCP: Qual será a cor do ano da Pantone 2018, alguma ideia?

Fernanda: Muito difícil responder, pois a escolha da cor do ano envolve aspectos comerciais, disponibilidade de pigmentos no mercado, momento político e econômico, pesquisa de opinião, enfim, vários fatores. Um chute: alguma nuance de amarelo ou de rosa.

CCP: Conte-me de uma lembrança de sua vida em que a cor fez diferença.

Fernanda: Minhas viagens sempre me surpreendem.

Natureza: Deserto do Atacama, no Chile. Chegamos pela manhã e as cores existentes devido à luz da manhã eram algumas. Ao anoitecer, quando estávamos indo embora, o cromatismo daquele lugar, influenciado pela luz do sol já enfraquecida, transformou completamente aquele espaço;

Arquitetura/Urbanismo: Na Grécia entendi o branco aplicado nas edificações. Lá, o branco se faz completamente necessário e harmônico com o espaço, o clima e a história do lugar;

Arquitetura/Interiores: A Capela criada por Barragán – ele realmente alcançou o Divino; quando visitei Allambra, Gramada, na Espanha. E a Mesquita Azul, em Istambul, Turquia;

Capilla de las Capuchinas, em Tlalpan, na Cidade do México, que Fernanda visitou: o arquiteto Barragán  alcançou o Divino com luzes e cores

Maquiagem: Quando eu entendi quais os tons que mais me beneficiam, passei a usá-los sempre. Isso mexeu muito com a minha auto-estima, minha confiança em mim mesma, meu auto-conhecimento.

CCP: Conte-me de um projeto que você teve orgulho de fazer.
Fernanda: Quando faço a consultoria cromática Cor Estima e vejo satisfação e alegria estampada no rosto dos clientes, isso me alegra muito. A descoberta das cores eleitas é quase a descoberta do indivíduo. Esse caminho é muito pessoal e depende de quanto as pessoas estão abertas ao novo, ao desconhecido, ao diferente. O último projeto residencial agradou tanto o cliente que me enviaram uma mensagem para dizer que as cores haviam transformado o lugar e a convivência havia melhorado. Também pintei uma calçada em Pinheiros, na rua Artur de Azevedo. Uma pessoa me contou que passou a caminhar por ali só para pisar nas cores!


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