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Paris-Brest: o livro que é um caldo de emoções

Paris-Brest: o livro que é um caldo de emoções

No meio dessa baciada de livros de gastronomia e programas de televisão em que candidatos a subcelebridade jogam comida fora almejando um dia fazer diferença no ibope, fica bem difícil escolher um arroz para ir à panela.

 

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Antes de lançar Paris-Brest, Alexandre Staut organizou uma série de jantares em sua residência com as receitas que oferece em seu livro de memórias de sua estada na França

 

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Paris-Brest foi escrito por Alexandre Staut, que também é jornalista do blog Tudo Al Dente e chef – ele organiza jantares em residências

 

Mas o livro Paris-Brest (compre aqui), do jornalista, escritor e chef Alexandre Staut (Alê, é meu amigo) vem inédito na combinação memórias + receitas + dica de viagem. Acima de tudo, uma história de superação de quem largou tudo no Brasil para viver um sonho na França.

Em alguns momentos, a história assume até um tom mais depressivo, mas nesse caldo de memórias, aprendemos que a vida é assim mesmo, a gente cai, levanta e lança um livro!

Eu bati um papo com Staut para aprofundar alguns temas que ele abordou no livro e também falamos de gastronomia, suas dicas de restaurantes e passeios pelo Brasil, é claro! Acompanhe.

 

Na minha opinião, muito antes de ser um livro de memórias ou receitas, Paris-Brest é um manual de sobrevivência sobre adversidade, fraqueza, superação e celebração. Você concorda com isso?

É sim. um pouco de tudo isso. Ao ler o livro pronto, fiquei surpreso como se parece com o romance ‘Pergunte ao pó’, de John Fante, em que o protagonista Arturo Bandini, um sujeito ítalo-americano que vive uma vida difícil em Los Angeles, erra pelas ruas da cidade, em busca de seus sonhos de se tornar escritor.

A gastronomia invadiu a televisão brasileira aberta em um país onde as pessoas passam fome. O que pensa sobre isso?

Acho que a gastronomia deve ser celebrada, porque é uma arte. Acho também que todo homem nasceu para ser rico, para viver com fartura. Falo sobre isso no meu livro. Paris-Brest é um livro crítico, há muita crítica social. Falo inclusive dos que passam fome no mundo, sobre africanos que se mudaram para a França em busca de uma vida melhor, pessoas com as quais trabalhei num restaurante em Tours. Critico também o oba-oba dos foodies no meu livro.

Quando surgiu a ideia do Paris-Brest e por que lançar agora?

Há quatro anos, escrevia um romance de ficção, em que um sujeito ia viver num canto escondido da França, tornando-se cozinheiro. Era a minha própria história, uma auto-ficção, escrita um pouco sob a ótica do realismo mágico. Mas aí percebi que o livro não saía, a escrita era difícil. Foi quando me dei conta de que podia escrever sobre minha própria experiência na França. Aí sim a escrita fluiu. Comecei a escrever Paris-Brest dez anos depois de ter voltado ao Brasil da temporada na França. Acho que precisava desse tempo, para que tudo o que vivi por lá fosse decantado dentro de mim.

O formato delicioso e as receitas – como chegou nisso? 

Já que ia falar de comida e receitas, achei que pudesse ser legal dar este serviço aos leitores. De uma receitinha todo mundo gosta, né? Queria um livro que fosse um romance de formação, misturado à livro de receitas e memórias de viagens. Desta forma, acho que o livro ficou curioso e inédito.

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Tarte Tatin, a receita francesa que é um sucesso absoluto no livro e na casa do Alê. “É pura mágica”, diz o chef

Qual a receita que está fazendo mais sucesso?

A Tarte Tatin sempre faz muito sucesso. Para mim, esta receita é pura mágica. Com apenas quatro ingredientes relativamente baratos – farinha de trigo, açúcar, manteiga e maçã – faz-se um doce dos deuses.

Os franceses hoje ainda carregam o título de melhores da gastronomia mundial? Se sim, por quê? Se não, quem é o melhor país hoje?

Ainda gosto da gastronomia francesa, das técnicas, dos molhos, dos pães. Os espanhóis tiveram bastante destaque nos últimos anos, mas a francesa ainda é a minha predileta.

Qual a melhor lição de Paris-Brest para você?

Não é fácil viver sem dinheiro num país estrangeiro. É difícil ser imigrante na Europa. Mas as mazelas da vida podem ser transformadas num livro.

Qual o melhor roteiro gastronômico do Brasil hoje?

Adoro o Pará e a comida regional que se come em Belém. O Mercado Ver o Peso é uma perdição para quem gosta de novidades gastronômicas. Há ainda Recife e Olinda, com sua gastronomia regional. O Brasil é muito rico em matéria de gastronomia. Fico feliz ao ver que a nossa comida está sendo bastante valorizada nas TVs, jornais, em festivais.

Qual seu restaurante preferido em São Paulo?

Pela relação custo-benefício, gosto do Jiquitaia, que serve comida regional de vários lugares do Brasil. O menu executivo de almoço tem bom preço e sempre surpreende pelo sabor e receitas.

Qual o pior? (em qualquer sentido ou tema, ou seja, comida ruim, preço alto, enganação, enfim, você escolhe!)

Há vários ruins (risos), que são modinhas. De cara, citaria o Épice, que inclusive acaba de fechar as portas. No Maní também nunca comi bem, apesar de valorizar o trabalho da chef, a Helena Rizzo. Posso ter dado azar nas vezes em que estive lá.

Para comprar o livro Paris-Brest, clique aqui

Para conhecer mais Alexandre Staut,

www.tudoaldente.com.br

www.saopauloreview.com.br

www.alexandrestaut.com.br


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