READING

Modernismo brasileiro, Itália e paixão pela madeir...

Modernismo brasileiro, Itália e paixão pela madeira: Gustavo Bittencourt

Um móvel criado por Gustavo Bittencourt não é apenas um objeto com uma função: ele será uma herança de família – vai acompanhar a vida de quem o comprar. Sob essa belíssima inspiração, que respeita a natureza e propõe uma nova forma de consumo, o designer cria peças de madeira, francamente inspiradas no modernismo brasileiro, que tanto nos alegrou com Joaquim Tenreiro, Sérgio Rodrigues, Lina Bo Bardi, entre outros.

Nascido no Rio de Janeiro e formado em Desenho Industrial, Bittencourt descobriu na Itália que sua verdadeira paixão estava na confecção de mobiliário. “Confesso que quando entrei na universidade pensava muito em design automobilístico, mas com o tempo amadureci a ideia de desenhar móveis. Acredito que a maior realização de um designer é ver seu projeto sair do papel. E nessa área, basta você colocar a mão na massa que consegue produzir”, diz Gustavo.

No meu bate-papo com o designer (bastante premiado antes dos 30 anos), ele me conta da influência da mãe, suas inspirações, seus designers favoritos e a relação de amor que estabelece com as peças que cria. Acompanhe.

Para conhecer sobre o trabalho do artista, visite gustavo-bittencourt.com

Alguns móveis estão à venda na Boobam

banqueta ARQ

Banqueta ART – combinação elegante de madeiras

sofá decado

Sofá Decado

Gustavo, conte-me como você começou a criar móveis.

Tenho 29 anos e sou formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em Desenho Industrial. Desde pequeno, sempre gostei de desenhar, de pintar, e fui muito influenciado pela minha mãe arquiteta, que sempre me deu livros, me levou para exposições. Portanto, sempre convivi com móveis, arquitetura, interiores. Confesso que quando entrei na universidade pensava muito em design automobilístico, mas com o tempo amadureci a ideia de desenhar móveis. Acredito que a maior realização de um designer é ver seu projeto sair do papel. E no mobiliário basta você colocar a mão na massa que consegue produzir. Não me considero marceneiro. Sou curioso, entusiasta, esforçado, mas desde a universidade sempre quis projetar em madeira, pela tradição, pela beleza, pelo toque, e sempre me faltou o conhecimento prático. Pedi um estágio ao Rodrigo Calixto, na oficina Ethos, e ele abriu as portas para mim. Portanto essa parte da marcenaria devo a ele: ter me dado a oportunidade de aprender.

Qual é a madeira que você usa e onde você compra?

Uso cerca de dez espécies de madeira e tento sempre experimentar madeiras novas, pois é incrível como cada uma tem um aroma, uma tonalidade, características muito individuais e únicas. Compro geralmente em madeireiras com toda a documentação e certificados.

poltrona nono

Poltrona Nonô

Você já ganhou prêmios com seu trabalho? Quais?

Já ganhei alguns prêmios, três ainda como estudante. Movelsul (duas vezes) e Mercosul de móveis. E o Casa Brasil profissional, com o bufê Brise-Soleil. Não tenho costume de participar de muitos concursos, principalmente os internacionais, porque as despesas são altas.

Quem são os designers que você admira no Brasil e fora do Brasil (em atividade ou não).

Sou muito fã do design italiano, onde tive o prazer de poder conviver enquanto estudava no Politecnico di Torino. São grandes exemplos e influências: Joe Colombo, Gio Ponti, Ettore Sottssas, Achille Castiglioni, entre outros. Dos mais contemporâneos, gosto bastante de Ron Arad e Marc Newson. Quanto aos brasileiros sou muito fã do modernismo, portanto preciso falar de Joaquim Tenreiro, Sergio Rodrigues, Lina Bo Bardi e Ricardo Fasanello.

buffet brise[soleil

Bufê Brise-Soleil, premiado no Salão Design 2015. “O Brise-Soleil foi inspirado nos brises e sua beleza e expressão formal são marcantes. Faz uma referência às obras realizadas entre os anos de 1930 e 1960, sendo, portanto, uma breve homenagem a este elemento tão inspirador da nossa cultura arquitetônica.”

Onde busca inspirações?

Tento aproveitar a inspiração de onde vier, tento não me limitar. Busco muitas referências na arquitetura, nas artes plásticas, na evolução, nos processos industriais, artesanais, nas histórias, em culturas, na natureza. Acredito que todos nós temos um olhar, um ponto de vista sobre o que olhamos, somos todos diferentes. E meus móveis são exatamente a minha interpretação sobre as formas, as misturas, como consigo me expressar, como transformo minhas referências, meus pontos de vista, no que acredito.

Você estudou na Itália? O que os italianos fazem de melhor, ou, o que eles podem nos ensinar de valioso?

Sim, tive um sonho realizado, estudei no Politecnico di Torino. O que me inspira muito nos italianos é a cultura do design junto à indústria, trabalham muito bem juntos. Sua forma de pensar, metodologias, processos, são objetivos, pontuais. Vivenciam intensamente o design desde os anos 50.

Como você define o seu trabalho?

Gosto bastante de desenvolver meus móveis com um diferencial, gosto de criar uma relação com as pessoas, desenvolver uma interação, pois penso em móveis atemporais, que durem para uma vida inteira. Estes móveis acabam se tornando não apenas móveis, mas um bem imaterial, insubstituível, que acaba fazendo parte da família, de sua história. Acredito que quando colocamos a mão, como artesãos, passamos nossos sentimentos para o móvel, o que traz alma e o torna único.

made-designer-gustavo-bittencourt-cadeira-iaia

Cadeiras Iaiá


RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
PINTEREST